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Jovens e a política: um desinteresse genuíno ou provocado? PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por Renata Costa   
Quarta, 07 Outubro 2009 11:00
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Renata Costa

E já lá vai um acto eleitoral… E o que mais se fala a este respeito? Da abstenção e desinteresse dos jovens pela política, a parte da derrota do PSD, claro está. Será verdade que os jovens são os principais desinteressados na vida polícia do país?

Se poderá ser verdade que os jovens têm se tornado cada vez mais desinteressados, também é com certeza verdadeiro que há muitas razões que os levam a tal - e isto é facilmente perceptível no contexto actual, em que os sucessivos governos deste país primam por uma política de completo desinvestimento e afastamento da juventude de todos os pilares da sociedade. O investimento na cultura é cada vez menor e como consequência disto temos um esvaziamento e secundarização da cultura. O desinvestimento no desporto que levou à sua desvalorização. Também o Ensino Superior tem sido uma das vítimas preferidas do governo, e por conseguinte, também os estudantes. Ou ainda dos jovens trabalhadores, os principais prejudicados com a nova legislação laboral. O que concluímos é que, hoje em dia, é a carteira a verdadeira bitola do governo.

 

É de facto de estranhar quando se fala do desinteresse dos jovens, quando são os mesmos políticos que implementaram novas formas, cada vez mais criativas, de afastar os jovens da vida associativa e inclusivé da gestão democrática dos estabelecimentos de ensino. Ora vejamos: através do Processo de Bolonha, os estudantes vêem-se com cada vez menos tempo, devido ao excesso de carga horária que este acarreta, para a participação na vida académica; ou através do Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior que tem inerente o fim da gestão democrática das instituições com o afastamento dos estudantes dos órgãos de gestão; ou mesmo através da nova lei do associativismo que vem pôr no mesmo saco o associativismo estudantil e o associativismo de base local, fomentando a sua governamentalização colocando cada vez mais barreiras à vida associativa.

E como se isto não bastasse quando em todos estes anos de governação de PS ou PSD com ou sem o CDS atrelado, fora de época de campanha houve a preocupação de intervir directamente junto da população jovem? Quando se preocuparam em ir ao contacto com os jovens para saber os seus verdadeiros anseios e receios? Pois posso dizer indubitavelmente que nunca.

 

Como interessar os jovens pela política se abundam os exemplos de corrupção, de caciquismo, de gestão duvidosa, muitas das vezes com a cobertura dos partidos pelos quais concorreram – PS e PSD? Se exemplos como Fátimas Felgueiras, os Isaltinos Morais ou os Albertos Joões Jardins são cada vez mais comuns no nosso país? Assistimos a uma desvirtuação da democracia, patente até nas pequenas coisas. Veja-se como o PS, PSD, CDS e até o Bloco se rendem à fulanização da política, como se a actividade de um partido se limitasse à vontade do seu cabeça de lista, o que ficou bem patente no último debate no Centro de Artes em que Álvaro Santos, Manuel de Oliveira e David Almeida se referiam repetidamente “eu fiz”, “eu faço”, “eu vou fazer”, etc.

 

E ainda assim vêm dizer que os jovens são os principais responsáveis pelo seu desinteresse… Pois eu digo que não! Digo que não, porque convivo no quotidiano com um conjunto de jovens que são não apenas interessados mas activistas, jovens estes que vivem com o profundo desejo de transformar o sonho em vida - não fosse este uma constante da vida. O sonho de um futuro melhor para o país e o povo. E por ele luta intensamente todos os dias e não só durante as campanhas eleitorais como tantos outros. Falo dos militantes da JCP que deveriam ser tidos como exemplos daquilo que é responsabilidade política, força e alegria, pois apesar de todas as barreiras que diariamente lhes são colocadas, com todo o seu empenho as ultrapassam e continuam. Pois que só assim é o caminho! Na CDU fazemos um levantamento cuidado, junto dos jovens, dos problemas que os afectam. Reunimos e ainda mais importante: esclarecemos! Tentamos por todos os meios defender os legítimos interesses da juventude por uma simples razão: ao contrário de outros, não vemos na juventude uma fonte de voto em época eleitoral, mas cidadãos com quem é preciso trabalhar para construir o futuro, amanhã.

Renata Costa
Candidata da CDU à Assembleia de Freguesia de S. João